Mãe.

Se mãe fosse uma personagem, seria a mocinha e a vilã, a heroína e o monstro, aquela que desperta as maiores manifestações de amor, do mais verdadeiro e puro, e as piores manifestações de raiva, daquelas bem inconsequentes. Seria o nosso abrigo e o lugar para onde menos queremos ir, o colo e o tapa, a situação mais confortável ou o pior desconforto, a melhor amiga ou a pior inimiga, uma grande risada ou um pranto inconsolável.

Não deve ser fácil assumir todos esses papéis ao mesmo tempo enquanto na sua cabeça e no seu coração ela está simplesmente sendo (ou tentando ser) a nossa fortaleza, o nosso ombro, o nosso afago. Ela está sendo mãe! Ainda que, em alguns momentos, nós sejamos a maior parte dos seus problemas, ela está ali, de pé, fortalecida pelas nossas tristezas, mas despedaçada por dentro por nos ver assim. Quem mais enxergará a sua dor e, mesmo sabendo que a cagada foi sua, te protegerá antes de te apontar o dedo?

Ela é o assunto mais delicado em nossas terapias, o que mais emociona, o mais verdadeiro. Os traços que herdamos mas que nem sempre queremos, a carga que depositamos nela, muitas vezes culpando-a sem razão…. porque a gente acha que ela tem que saber tudo, e esquece que ela está aprendendo junto com a gente, que a gente muda a cada dia e que o repertório dela de mãe é a sua própria mãe, apesar dos tempos ou espaços.

A minha mãe sempre tentou – ou nos deu ferramentas para – realizar os nossos sonhos, mesmo que para isso tivesse que adiar os seus próprios por quinze, vinte ou vinte e cinco anos. E agora que estamos crescidas e bem, obrigada, ela consegue focar nos SEUS desejos, merecidamente. Ela aprendeu com a gente a olhar para si mesma, a viver para si própria – “mãe, a gente tá bem, você cumpriu a sua missão, agora cuida de você!” -, mas seu colo está sempre pronto para nos receber, não importa o que ou quando.

E essa mixtape, mãe, é para você ouvir! Baixe aqui ou ouça em streaming (depois das imagens), e depois eu coloco no seu iPod.

HELENA SASSERON é planejamento da Carme e dedica essa mixtape de coração para a sua mãe, que tanto ama e admira.

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Outono

O frio chegou, meio que foi, voltou, e querer sair de casa – ou mais precisamente da cama – ficou um tanto dramático. Algumas coisas podem ajudar, se esse é o seu caso: pular da cama para o banho quente, tomar um café com leite puro conforto, um mingau de aveia ou de chocolate, um abraço e beijo da pessoa amada e músicas fofas, gostosas e animadas. É por isso que eu amo o outono! É a época do ano em que começamos a procurar mais aconchego, muitas vezes lembranças da infância ou da casa dos pais, a caminho do inverno. Frio aproxima quem precisa se esquentar. Já dizia o Nietzsche que “o outono é mais estação da alma do que da natureza”.

E essa mixtape de hoje é para tornar o frio mais simpático e convidativo, para ajudar a conseguir sair da cama e talvez de casa. Get up-ah!

Baixe a mixtape aqui – ou escute em streaming abaixo!

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Welcome to Twin Peaks. There are many stories in Twin Peaks – some of them are sad, some funny. Some of them are stories of madness, of violence. Some are ordinary.’

Twin Peaks, seriado criado por David Lynch em parceria com Mark Frost, é uma das obras que melhor descreve a sociedade nos anos 90. A principal trama fica por conta do assassinato de Laura Palmer. No entanto, a morte de Laura é apenas um pretexto para conectar histórias e mostrar as imperfeições dos habitantes da cidade fictícia criada por Lynch.
Apesar do contexto yankee, com direito àqueles jargões e consumo de café tipicamente americanos, a série consegue trazer a tona o conflito que existe dentro de nós em relação às histórias que vivemos. Assim como no roteiro do primeiro episódio, a nossa vida também é feita de loucura, violência, amor, morte e várias outras experiências que materializam o que somos.

Na época em que Twin Peaks foi exibida, eu tinha quatro anos. Com essa idade, eu não seria audiência fácil para o seriado. Vinte anos depois e eu finalmente encontrei algum sentido para assistir a série de Lynch. O motivo: eu comecei a fazer terapia. Como eu fazia quando era pequena, fui tentar encontrar uma metáfora capaz de responder as minhas interrogações. O seriado foi providencial.

'Twin Peaks is about entering a world, falling in love with it, working within it, and letting it talk to you.'

 



Imagina se você guardasse as suas lembranças (boas e ruins) num baú e o escondesse atrás de uma pilha de roupas no guarda-roupa. Um belo dia, você resolve se desfazer do que não usa mais e, do nada, lembra daquele baú. Abri-lo para uma imersão sobre o que você é, o que as pessoas fizeram com você e o que você fez com as pessoas é o mesmo que libertar demônios internos. Mais do que isso, é exigir de si próprio um desprendimento das certezas que você construiu ao longo de anos e investir todas as suas fichas no mistério da vida.

 

'Some ideas can arrive in the form of a dream. I can say it again: some ideas arrive in the form of a dream.'

David Lynch já é um cara idolatrado pelas histórias que levou ao cinema, sempre em formato de sonho ou de delírio. Em Twin Peaks, por outro lado, Lynch trouxe a natureza humana – muito mais do que em qualquer um de seus filmes. De uma forma visceral, ele nos mostra a tristeza do mundo e o quão nós somos ignorantes em não saber lidar com as coisas belas.

No final das contas, abrir o baú que guardamos é a melhor maneira de entender o tal mistério da vida, de enfrentar derrotas particulares e de encontrar o que procuramos.

 

TALITA ALVES é planejamento na agência We e vai pra Twin Peaks toda terça-feira.
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A trama…

É engraçado como algumas coisas acontecem de formas tão distintas e mesmo assim acabam influenciando nossas vidas de alguma maneira.

Mais curioso ainda, é não perceber o quanto isso nos transforma até sentirmos que o contexto ao qual fazemos parte não faz mais tanto sentido assim.

No final, o que é importante? O que é a eterna procura pela felicidade e satisfação plena que nunca chega?

Percebo que, caso já tenhamos provado disso, é sempre nas lembranças do que já foi…
O presente é uma constante paranóia de que tudo poderia ser melhor…uma ingratidão de nós sobre nós mesmos, uma vontade frustrada de ser algo melhor que nem sequer sabemos o que é.

E quando paramos para pensar…o tempo passou.

 

R.I.P
A.C.M.
H.C.

GUILHERME MARQUES é designer da Carme e ligou os pontos.

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Era uma casa muito engraçada…

Ela olhou pela janela e viu um pedaço de cidade. Lá fora parecia tudo normal, mas dentro daquela casinha as coisas continuavam bem esquisitas. Um tanto bagunçado esse casulo, incomodando seus hábitos – ou TOC – mas não cabia a ela colocá-lo no lugar. Se a casinha não era dela, as consequências também não. Mas ah como ela queria mudar tudo de lugar, bagunçar ainda mais para depois arrumar de outro jeito, aquele jeito que ela conhece, que ela controla. Ah como ela queria poder se apropriar dessas consequências e sentir pelo menos o gostinho delas, para entender, para relaxar…

Baixe aqui a mixtape da semana – ou escute abaixo!

HELENA SASSERON é planejamento da Carme e precisa definitivamente arrumar aquele quarto amanhã!
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Enquanto acordo, sonho

Reino dos sonhos: pequeno estado na vasta região de Tien-Shan (montanha Celestial), onde há grandes florestas, um lago e um rio que divide e empresta caráter a esse pequeno reino. O fundador do Reino dos Sonhos foi o rico e extravagante Klaus Patera, no século XIX.

Patera tinha aversão a qualquer tipo de progresso, especialmente no campo da ciência, e por isso separou seu reino do mundo circundante com uma grande muralha. O Reino dos Sonhos é um refúgio para todos os insatisfeitos com a civilização moderna. Suas necessidades materiais são automaticamente satisfeitas, mas nada está mais distante do objetivo do governo do que a simples criação de uma sociedade ideal.

Tudo está voltado para uma vida espiritualizada – os habitantes vivem somente de e para mudanças espirituais. A existência exterior, organizada segundo seus desejos por um trabalho em comum cuidadosamente coordenado, fornece apenas matéria-prima que serve de base a suas verdadeiras vidas. Os habitantes do reino acreditam somente em sonhos, seus próprios sonhos. Essa tendência é fomentada e desenvolvida, e interferir nessa crença é considerado alta traição.

A seleção dos convidados a fazer parte da comunidade baseia-se rigorosamente na capacidade em sonhos.

(Fonte: “Dicionário de Lugares Imaginários”, de Alberto Manguel & Gianni Guadalupi)

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Sonhar é essencial, mas às vezes a gente tem que acordar, né? Cada um escolhe o mundo em que quer viver, mas sempre sabendo que pode transitar entre os dois, sem necessidade de se fixar em algum. Nesse mundo aqui se pode sonhar quando quiser, acordado ou dormindo. Pode-se acreditar nos próprios sonhos, ou nos sonhos alheios -inclusive nos sonhos irrealizáveis, aqueles eternos, que nunca iremos alcançar, mas cuja simples presença alimenta a alma – sonho que faz acordar.

Sonhar é vida!

Baixe aqui a mixtape da semana, para acordar sonhando, ou sonhar acordado…

HELENA SASSERON é planejamento da Carme, às vezes sonha demais e algumas vezes de menos….
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Gostinho de vingança

Há algumas semanas recebi ligação da empresa de cartão de crédito me oferecendo um pacote mais chique, com nome de pedra ou metal precioso, não lembro. Agradeci, mas preferi continuar com meu basiquinho velho de guerra, já que negociar a anuidade não é missão simples e sabemos que nem tudo que reluz é ouro, principalmente quando é de plástico.

Às vésperas de expirar a validade do meu cartão contatei a operadora que me assegurou que seria enviado outro automaticamente, como acontece sempre. Entretanto o mês virou, picotei o cartão como de praxe e aquele espacinho vago na minha carteira começou a incomodar. Mais uma ligação para o call center e descobri que o ‘velho de guerra’ havia sido descontinuado… Nossa, seria eu uma pária social, indigna de um mero cartão de crédito? Me orgulho de ser boa pagadora (talvez um problema, porque acho que preferem o pessoal do rotativo) e uns dias atrás eu havia sido agraciada com um modelo ainda mais sofisticado, com seguro, maior conversão em milhagem e até primeira anuidade grátis!?!

Estaria tudo certo, afinal não deve demorar para uma nova oferta de cartão bater à porta, não fosse minha constatação da cobrança da primeira parcela da anuidade do cartão fantasma indicando nos meus ‘lançamentos futuros’… Como assim? Não mandam cartão e cobram anuidade?

E lá fomos novamente para o call center, queixa por escrito no fale conosco e aguardar a passagem dos dias úteis para ver o estorno do valor na conta.

Em pleno feriado de Páscoa recebo uma ligação no celular referente à reclamação. A atendente, bastante simpática, aliás, me avisava que o valor já estava indicando como estornado no ‘sistema’. Sem imaginar que seria uma deliciosa vingança e apenas interessada em encerrar o assunto, falei pra ela se poderia aguardar enquanto eu acessava o internet banking. Num golpe do destino, me vejo travando o seguinte diálogo:

ATENDENTE – já conseguiu visualizar senhora?

EU – ainda não, minha conexão está um pouco lenta. Você pode aguardar?

ATENDENTE – sim, claro.

(alguns minutos depois…)

ATENDENTE – e agora, senhora, notou pelo extrato o estorno no dia 02/04?

EU – ainda não (nesta hora morri de vontade de dizer que ‘meu sistema havia caído’, mas segurei… fantasiei por um momento fazê-la aguardar ao som de uma música… e, se reclamasse, ainda seria cantada por mim!)

 

RAFAELA CHAMMÉ é jornalista, assessora de imprensa e nossa grande parceira!
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Br’er Rabbit

Existe uma lenda africana, que chegou nos Estados Unidos com o nome Br’er Rabbit (e virou filme da Disney na década de 40 como “A Canção do Sul”), de um coelho bem malandro, que recebeu diversas interpretações. A que me parece mais realista delas diz que esse coelhinho truqueiro representa um tipo de comportamento que as pessoas são quase que forçadas a ter em circunstâncias extremas para sobreviver.

É claro que o tal malandro não é para ser sempre admirado – se coloca em situações das quais nem sempre consegue sair, envolvendo outras criaturas na maior parte das vezes, mas de qualquer forma tenta até o fim. Não que ele seja mal intencionado – ele é meio sem noção, um exemplo do que fazer, mas também do que não fazer.

Há um provérbio africano que sintetiza o comportamento desse ser aí (que talvez não faça tanto sentido em português): “São os problemas que fazem os macacos mastigarem pimentas quentes” – ou seja, só aja de forma intensa quando momentos extremos te pedirem isso. Nos demais momentos, tente ser um fofo coelhinho, aquele animal gracioso que vive em tocas e tem longas orelhas – e bons ouvidos!

E o coelho da Páscoa trouxe uma mixtape de chocolate – baixe aqui! (ou ouça em streaming abaixo)

HELENA SASSERON é planejamento da Carme e acha essa história de coelho da Páscoa meio esquisita.
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Nouvelle Vague

Para promover sua nova coleção Primavera/Verão 2012, a marca Opening Ceremony lançou três curtas charmosos, inspirados nos filmes Nouvelle Vague de Jean-Luc Godard; Les Mépris, Je Veux Un Enfant e À Bout de Souffle.

 


PHILIP WALSH é designer da Carme e quer assistir todos os filmes do Godard de novo.
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We float

Nos últimos dias – ou nos últimos anos – tenho pensado no que fazer para ter uma vida leve, um pouco mais divertida e descompromissada com bobagens, e a conclusão é sempre a mesma: levar as coisas menos a sério! Isso não significa “cagar” para tudo – a questão é estar mais à vontade com aquilo e aqueles que me cercam, curtir mais e criticar menos, permitir-me errar e ainda rir disso. Sei lá, o mundo é tão grande e o espaço de tempo que tenho para explorá-lo parece tão curto – arrisco: para quê se apegar a coisinhas?

Clique aqui para baixar a mixtape da semana! (ou escute abaixo em streaming)

HELENA SASSERON é planejamento da Carme e está meio em pause.
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