Se mãe fosse uma personagem, seria a mocinha e a vilã, a heroína e o monstro, aquela que desperta as maiores manifestações de amor, do mais verdadeiro e puro, e as piores manifestações de raiva, daquelas bem inconsequentes. Seria o nosso abrigo e o lugar para onde menos queremos ir, o colo e o tapa, a situação mais confortável ou o pior desconforto, a melhor amiga ou a pior inimiga, uma grande risada ou um pranto inconsolável.
Não deve ser fácil assumir todos esses papéis ao mesmo tempo enquanto na sua cabeça e no seu coração ela está simplesmente sendo (ou tentando ser) a nossa fortaleza, o nosso ombro, o nosso afago. Ela está sendo mãe! Ainda que, em alguns momentos, nós sejamos a maior parte dos seus problemas, ela está ali, de pé, fortalecida pelas nossas tristezas, mas despedaçada por dentro por nos ver assim. Quem mais enxergará a sua dor e, mesmo sabendo que a cagada foi sua, te protegerá antes de te apontar o dedo?
Ela é o assunto mais delicado em nossas terapias, o que mais emociona, o mais verdadeiro. Os traços que herdamos mas que nem sempre queremos, a carga que depositamos nela, muitas vezes culpando-a sem razão…. porque a gente acha que ela tem que saber tudo, e esquece que ela está aprendendo junto com a gente, que a gente muda a cada dia e que o repertório dela de mãe é a sua própria mãe, apesar dos tempos ou espaços.
A minha mãe sempre tentou – ou nos deu ferramentas para – realizar os nossos sonhos, mesmo que para isso tivesse que adiar os seus próprios por quinze, vinte ou vinte e cinco anos. E agora que estamos crescidas e bem, obrigada, ela consegue focar nos SEUS desejos, merecidamente. Ela aprendeu com a gente a olhar para si mesma, a viver para si própria – “mãe, a gente tá bem, você cumpriu a sua missão, agora cuida de você!” -, mas seu colo está sempre pronto para nos receber, não importa o que ou quando.
E essa mixtape, mãe, é para você ouvir! Baixe aqui ou ouça em streaming (depois das imagens), e depois eu coloco no seu iPod.
Mãe by Alma.The.Nurse on Mixcloud
















